Reforma tributária: quais os desafios operacionais do agronegócio?

Os desafios operacionais do agronegócio na reforma tributária incluem sistemas paralelos, gestão do fluxo de caixa, governança digital e a rastreabilidade.

A reforma tributária sobre o consumo iniciou sua fase de transição em janeiro de 2026 e traz uma série de desafios operacionais para o agronegócio.

O principal deles é a convivência com dois sistemas tributários: o atual, com IPI, Pis/Cofins, ICMS e ISS, e o novo modelo de tributação sobre o consumo, com IVA dual (IBS e CBS),além do Imposto Seletivo.

O período de transição, que vai até 2032, exigirá ainda uma gestão do fluxo de caixa mais rigorosa, além de governança digital adequada aos sistemas, considerando a coexistência de regras e alíquotas diferenciadas.

Soma-se a isso a necessidade de rastreabilidade das operações, controle dos créditos presumidos, novos sistemas fiscais e treinamento e capacitação tecnológica. Saiba mais neste artigo!

O que é a reforma tributária?

A reforma tributária promove a simplificação dos impostos sobre o consumo no Brasil: há a substituição gradual de Pis/Cofins, ICMS e ISS por um modelo de IVA dual e a criação do Imposto Seletivo, com a manutenção do IPI em novo formato.

O IVA (Imposto Sobre Valor Agregado) é composto por dois tributos sobre o consumo: IBS (Imposto Sobre Bens e Serviços),de competências dos estados e municípios, e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços),de competência federal.

Já o Imposto Seletivo será federal e tem como principal objetivo desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde (como cigarros e bebidas alcoólicas) e ao meio ambiente (como combustíveis fósseis, minérios, conforme determinação legal).

A substituição dos atuais pelos novos tributos ocorrerá de forma gradual. A partir de janeiro de 2026, será iniciada a fase de testes, conforme o Ministério da Fazenda, com o IVA tendo alíquota de 1%, sendo 0,1% de IBS e 0,9% da CBS, de maneira simbólica.

A expectativa do Ministério da Fazenda é que a alíquota total do IVA seja estabelecida entre 26,5% e 28%, enquanto o Imposto Seletivo, previsto para iniciar em 2027, entre 26,5% e 28%, mas isso depende ainda de regulamentação.

Instituída pela Lei Complementar 214/2025, a reforma tributária teve a segunda parte da regulamentação sancionada em janeiro de 2026, com a LC 227/2026.

>> Fique por dentro das novidades da reforma tributária no agronegócio

Por isso, é de grande importância que você acompanhe os próximos passos da reforma. As próximas definições serão de grande impacto em vários setores do agro, desde o campo até a agroindústria, dos fabricantes ao varejo.

E um dos principais impactos será na área operacional, com desafios variados que exigem atuação técnica e apoio tecnológico para iniciar a fase de transição gradual da reforma tributária.

Desafios operacionais do agronegócio na reforma tributária

A transição da reforma tributária será marcada por grandes desafios para o agronegócio. Até 2032, as empresas do setor terão que passar por diversas alterações, visando atender às mudanças do novo regime tributário, o que demandará adaptação rápida e eficiente.

Um dos principais pontos de atenção é com a mudança na dinâmica de incidência dos tributos, que passa a se vincular mais diretamente à ocorrência da operação e à sua liquidação financeira, podendo impactar o capital de giro, e a complexa gestão de créditos tributários, especialmente para cadeias com produtos isentos – o Anexo IX da LC 214/2025 lista produtos agropecuários com redução de 60%, incluindo insumos agrícolas.

Empresas devem se adaptar ainda às exigências de rastreabilidade das operações e ao controle de créditos presumidos, além de regras específicas aplicáveis a operações com produtores rurais não contribuintes, o que pode aumentar a complexidade operacional.

Para superar esses desafios, será essencial uma adequação tecnológica, sobretudo de sistemas de gestão. Uma leitura relacionada ao tema é sobre os primeiros impactos no ERP Siagri Agribusiness.

Além disso, a capacitação de profissionais e a revisão de todos os contratos da cadeia de valor serão necessários para as adequações do novo sistema tributário, exigindo que haja uma governança digital robusta e planejamento estratégico adequado. Veja mais detalhes na tabela abaixo:

Conclusão

A reforma tributária sobre o consumo, apesar de promover uma simplificação dos impostos, irá além disso: exigirá do agronegócio uma transformação na gestão do fluxo de caixa das empresas, sobretudo do varejo, seus créditos tributários, sistemas ERP e contratos.

Isso porque a convivência com sistemas paralelos e suas respectivas alíquotas exigirá que os sistemas estejam totalmente adequados para realizar as operações, até mesmo porque há previsão de multas em caso de erros.

Contudo, empresas que se anteciparem na preparação técnica com o uso de tecnologias tendem a conseguir atravessar o período de transição com mais segurança, ganhando em competitividade e atuação estratégica.

Entre em contato com nossos especialistas e saiba como podemos te ajudar nessa jornada.

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Mais de 15 anos de experiência na área contábil e fiscal, especialista nas demandas do agronegócio. Possui amplo histórico de atuação na coordenação de operações fiscais e contábeis, além da gestão de empresas.